• Tainara Santos

Minha profissão é lutar


Sempre gostei de esportes. Usava roupas mais de meninas quando ia sair, mas no dia‑a‑dia, sempre me vesti com bermudão, boné, que é o meu gosto, a forma como me sinto melhor para viver quem sou, esportista. Jogo futebol, capoeira e, principalmente, treino quase que diariamente no boxe.

Minha profissão é lutar. Sou boxeadora. No boxe há muita diversidade. Há mulheres héteros e lésbicas que treinam. O boxe muita gente não sabe, mas ele é para lutadores, não interessa o que cada um faz. Quando me assumi, não foram as pessoas que se afastaram de mim, pelo contrário, fui eu quem me afastei.

Fui atrás de outras oportunidades. Deixei para trás amigos passados mas mantive os que tinham os mesmos objetivos. Eu tive que mudar por mim mesma. No esporte me encontrei, tomei disciplina e dedicação.

Na favela sou tudo de bom. Todo mundo me trata bem, com respeito porque eu res‑ peito todo mundo para ser respeitada por todo mundo. Eu tenho minha disciplina: cada um na sua. Se me criticarem, não tô nem aí, e aqueles que não criticam, vamos só somar, sem preconceito, cada um respeitando seu ser.

Para mim não tem esse negócio de me incomodar por me chamarem de sapatão. Na família, as coisas foram tensas. Fiquei semanas pensando em como falar com minha mãe. Eu penso e gosto de agir logo. E foi também uma atitude que tinha que tomar. Falei, foi normal, mas tenso, mas de‑ pois tudo se encaixou no seu lugar. Já sofri bastante preconceito na rua.

Há homens héteros que desrespeitam muitas pessoas. Mas isso ai a gente supera. Mesmo sendo boxeadora e capoeirista, não saio batendo em ninguém. Como disse, tenho minha disciplina, mantenho minha concentração no que é importante de verdade.

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