• Pedro Augusto Chaves¹

A 20º Parada do Orgulho LGBT de São Paulo em combate à Transfobia


O evento realizado no centro da capital de São Paulo marcou o calendário no último domingo do mês de Junho, dia 29, reunindo cerca de 2 milhões de pessoas, segundo seus organizadores. A escolha do mês remete à memória circunscrita pela Revolta de Stonewall, marco das manifestações que buscaram reivindicar pautas relativas ao movimento LGBT ocorrido em Nova York, na década de 1960. A edição deste ano teve como tema o combate à transfobia e a visibilidade dedicada a este grupo que permanece marginalizado dentro do próprio movimento que leva a inicial T em sua sigla. As faixas atadas por todo o percurso da manifestação enunciavam os seguintes dizeres: “Lei de Identidade de gênero, já!”, “Todas as pessoas juntas contra a Transfobia!”, sem deixar de lado aquilo que marcou os cartazes da vigésima edição, “FORA TEMER!”, destinado ao presidente interino que assumiu o cargo em face das diversas contradições.

A concentração foi marcada em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) para 10h e a saída dos trios elétricos para 13h. A caminhada contou com a presença de 17 trios que tiveram temas relacionados às principais pautas levantadas pelo movimento, dentre eles, Trio Visibilidade Trans, Trio Mães pela Diversidade, Trio Visibilidade Lésbica, Trio Lei 10.948, assim como o Trio Skol, que foi uma das empresas patrocinadoras do evento e reuniu vários artistas da nova geração. Entre as atrações estavam a drag queen Pablo Vittar, Omolu, Dj Gorky, além da dupla Pepê & Neném e mais de 30 DJs. O trajeto permaneceu o mesmo do ano anterior, com saída da Avenida Paulista e descida pela Rua da Consolação. A previsão de chegada ao Vale do Anhangabaú foi para 18h, onde estava marcada o show de encerramento com artistas que participaram da marcha, como foi o caso do cantor Jaloo.

A estrutura incluiu oito ambulância de UTI, oito ambulâncias de remoção, quatro postos médicos que foram espalhados pelo trajeto, 30 brigadistas, 200 bombeiros e, aproximadamente, 780 banheiros químicos disponíveis para os participantes. Além do alto número de policiais militares responsáveis pelo monitoramento, a passeata deste ano apresentou uma delegacia especializada em crimes raciais e delitos de intolerância, a Decradi. Os patrocinadores desta edição foram a Prefeitura de São Paulo, o Bob’s, a Caixa Econômica e a Skol, os quais destinaram a quantia de 1,5 milhão para a estrutura da manifestação que ocupa o ranking de maior Parada do Orgulho LGBT do país. A organização ficou por conta da produtora Four X Entertainment contratada pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), ficando responsável também pela programação da Semana da Diversidade.

A transexual Viviany Beleboni, de 27 anos, marcou presença no evento cumprindo a promessa realizada no ano passado após a sua atuação, altamente criticada, que desfilou crucificada. Nesta edição a sua expressão de protesto trouxe as palavras “retrocesso” e “bancada evangélica” na tentativa de evidenciar as medidas conservadoras adotadas pelo Congresso e por uma parcela significativa dos políticos no poder. É importante ressaltar que o evento é palco para uma série de afirmações significativas para a comunidade LGBT na luta pelo combate aos preconceitos e as opressões que a cercam. É o dia que a Avenida Paulista deixa de ser ocupada apenas por empresários e funcionários de colarinho branco e abre espaço para os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e pessoas trans que vivem um cotidiano estagnado nas margens urbana, social e política.

Em meio a esse universo complexo de reivindicação pairava também uma atmosfera de diversão, alegria e agitação que contagiava todos os presentes. O evento foi cenário para as gravações da segunda temporada de Sense 8, série da Netflix que traz personagens LGBTs e reflexões importantes que atingem as esferas comportamental, sexual, social, além de questões relativas à identidade. O programa garantiu sua participação com um trio elétrico exuberante, enfeitado de bexigas nas cores do arco-íris e repleto de atores, atrizes, drag queens e convidados. Seguindo essa onda de séries norte-americanas, o trio elétrico da Skol contou com a ilustre presença da drag queen April Carrion, ex participante de Rupaul’s Drag Race, reality show que reúne desafios ousados e provas temáticas para um conjunto de drags com talentos muito variados. Além do mais, a caminhada contou com a presença do deputado Jean Willys, a modelo trans internacional Carmen Carrera e a professora trans Luiza Coppieters, todos na luta pelos direitos da comunidade LGBT.

¹pe.augustochaves@gmail.com

REVISTA MEMÓRIA LGBT – ANO II – EDIÇÃO X – setembro /2016 – P.15-16- ISSN 2318-6275

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