• Hagá Galvão¹

A importância do Beijo Gay na Teledramaturgia


No dia 31 de janeiro foi ao ar o último capítulo da novela Amor a Vida, de Walcyr Carrasco. O vilão protagonista, Felix, personagem do Mateus Solano protagonizou, junto com Thiago Fragoso, o que foi comemorado como o primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira.

Contudo, não foi, de fato, o primeiro beijo gay da televisão brasileira. Uma emissora menor havia apresentado um beijo entre personagens do mesmo sexo em 2009 e, antes disso, em 2003, na própria Rede Globo, Alinne Moraes e Paula Picarelli também se beijaram como Clara e Rafaela, estudantes e lésbicas. O site Sapatômica lista quinze beijos entre personagens do mesmo sexo – incluindo um m 1963, na novela A Calúnia da extinta Rede Tupi – todos com baixa repercussão na mídia e na sociedade.

Mas, de fato, o beijo apresentado na novela Amor a Vida foi dado em um contexto singular, em que a disputa instalada entre setores conservadores e progressistas da política nacional digladiam‑se sobre a pauta dos direitos LGBT. É esse impacto que o tornou diferente dos demais e o colocou no patamar de Primeiro Beijo Gay da Televisão Brasileira. As reações foram as mais variadas: o deputado Jean Willys disse, em sua página no Facebook, comemorar o acontecido como uma final de Copa Mundial de Futebol; frentes religiosas processaram a emissora pela audácia de exibir a cena, acusando‑a de tentativa de destruir a família tradicional; acadêmicos viraram o nariz criticando que a Rede Globo dera mais um hipócrita golpe interessado somente em audiência.

Independente desse ser ou não o primeiro beijo gay da televisão brasileira, no contexto em que se apresenta, é uma vitória para a classe LGBT. Em primeiro lugar dá visibilidade aos casais homossexuais e ao tema em geral. Além disso ela dá a oportunidade de milhões de homossexuais se verem representados com respeito, como tantas manifestações festivas comprovaram a aceitação. Por anos nós homossexuais assistimos na TV beijos e mais beijos de casais heterossexuais sem que isso nos ofendesse. Ser representado estende o senso de igualdade que, no fundo, é o que querem todas as militâncias LGBT, incluindo esta publicação.

Por fim, a representação do beijo gay quebra um padrão, quebra o gelo do debate sobre orientação sexual e oportuniza o tratamento do tema de maneira mais aberta e – esperamos – de forma mais leve. Parece mesmo ser um marco histórico, uma vitória. E desejo que seja tratado como tal.

1 E-mail galvao_16@hotmail.com;

REVISTA MEMÓRIA LGBT – ANO II – EDIÇÃO III – Abril /2014 – P.08-09- ISSN 2318-6275

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